Dez Mulheres - Marcela Serrano

Fui atraída por esse livro na biblioteca municipal. Quando fui ler a contracapa me deparei com uma personagem com o meu nome e um enredo sobre terapia. Interessante, pensei, e o trouxe comigo.


Natasha é uma psicóloga em Santiago, no Chile, e resolve reunir nove de suas pacientes, pois acredita que as feridas só começam a sarar quando são expostas, tranformadas em palavras. 
Nove mulheres, dez com a terapeuta. 
Cada uma com suas angustias, medos, desejos e inseguranças, guiadas por Natasha, aceitam o desafio de compreender suas vidas e reinventá-las. 

Minhas considerações:
- Gostei muita da estrutura do livro. Cada capítulo relata a vida de uma paciente e o último, da terapeuta;
- Me encantei pela capa (*-*);
- Há alguns fatos históricos durante os relatos. Interessante para quem curte história. Em alguns detalhes fiquei completamente perdida, mas não afetou no impacto que os relatos me causaram;

Aqui vão algumas partes dos relatos de algumas delas. Tem muitos trechos que me chamaram atenção em todo o livro, mas ele tem 265 páginas, hehehe. 

Francisca: "A terapia tem essa coisa cruel: para você o terapeuta é único, mas não o contrário. Que injustiça! É a relação mais desigual que se pode imaginar. Eu gostaria de pensar que Natasha não gosta de ninguém mais além de mim, que ninguém a diverte tanto quanto eu, que não sente tanta pena a compaixão, não se envolve tanto com mais ninguém. Afinal de contas toda a intimidade de que sou capaz está nas suas mãos, e minha fantasia é que ela só tivesse a minha. Como suportar que ela também tenha a intimidade de cada uma de vocês? Será que ela faz cada uma sentir-se tão amada e valorizada quanto a mim? Será que inventa para cada uma o mesmo lugar aconchegante , o mesmo refúgio à prova de balas no seu consultório? Terá realmente espaço interno para amar todas nós?"

Mané: "Talvez a solução seja ter um pequeno projeto por dia. Tanto faz estar viva ou morta quando não há um motivo para se levantar toda manhã."

Juana: "E sexo por sexo não dá certo comigo, se eu vou pra cama com alguém acabo me apaixonando, ou pelo menos pensando que estou apaixonada. Invejo muito essa qualidade masculina, a de dar uma boa trepada e depois tchau. Nós ficamos ligadas, feito bobas, achamos duro amanhecer no dia seguinte sem esperar nada. Às vezes eu me sinto usada, os homens nunca se sentem assim porque mesmo que os usem eles não se dão conta e acham que são eles que estão usando o outro."


Simona: "Acho que cada ser humano nasce com uma determinada capacidade de tédio. Alguns, sem dúvida, recebem doses maiores que outros. Mas devemos ficar atentas para o momento em que a nossa está se esgotando, temos o dever de perceber a tempo. Se a gente não se dá conta, pode se paralisar de formas fatais. Preste atenção! Você já viveu o seu pedaço de tédio completo? Então pule fora, saia, termine. Não se machuque."



Layla: "Eu não queria fazer terapia. A ideia de pagar por espaço de intimidade nunca ma convenceu. Não é isso que os homens fazem com o sexo? Não digo que Natasha faça o trabalho de uma puta. Mas pagar para que escutem a gente. Pagar para que amem a gente. Pagar para que fiquem do nosso lado. Não, eu não gostava dessa ideia. Só cedi porque não tinha alternativa. Foi só por isso."



Guadalupe: "É muito complicado e angustiante disfarçar na frente de todo mundo o afeto que você sente por alguém. Imagino que é por isso que existem as relações oficiais como namoro, noivado, casamento. Devem ter sido inventadas para que a potência dos sentimentos tenha o direito de existir, um sinal verde para que eles se expressem e se desenvolvam."

Andrea: "O deserto nos faz desligar-nos do tempo alheio. É um lugar para se descomprimir, esvaziar, perder as referências e chegar ao nada. Imagino que é desse nada que nasce qualquer criação. A arte, por exemplo. Não dizem que apelamos para a arte ara que a verdade não nos destrua? O deserto é um reflexo preciso Para tudo. para todos."

Ana Rosa: "A partir de então me afeiçoei aos invernos porque sinto que são de verdade, não como o verão, que passa voando e parece divertido e charmoso, mas não é, porque o sol está sempre com pressa e deixa todo mundo na vontade. O inverno não pretende consolar ninguém, mas, afinal de contas, sinto que consola porque você se enrola em si mesma como um novelo e se protege e observa e reflete e acho que só nessa estação é que se pode pensar de verdade..."


Título: Dez mulheres
Autora: Marcela Serrano
Editora: Alfaguara
Páginas: 265

O final do livro me incomodou um pouco. Eu passei o tempo todo esperando a própria Natasha encerrar o encontro e dar maiores explicações sobre o porquê dessa reunião e para mim ficou faltando coisas. Vou ficar pensando nele por alguns dias.

Nota: 4 estrelinhas.

**Editado**
E ontem foi o Dia Internacional da Mulher!
Hoje ainda dá tempo de homenagear todas essas guerreiras! Blogueiras, donas de casa, mães, professoras, tias, tudo ao mesmo tempo.
Parabéns!!!!


***
E saiu hoje a minha segunda participação lá no Ti Ti Ti da Dri. Confere lá! ;)
***
Bjobjo

Comentários

  1. me deixou curiosa..... vou sortear livro p top comentarista no tititi... depois olha lá... amei o post sobre cinema!! bjsssssss

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  2. Que bom que gostou do post, Adriana!!
    Ador livros! Tomara que a sorte me sorria desta vez, hehehe.

    Bjus

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